Media On 2008 - 2º Seminário Internacional de Jornalismo Online. São Paulo / SP. 09 a 11 de Setembro de 2008.

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Debate mostra “ponto de partida” do jornalismo cultural

Painel discute blogs e redes como fonte jornalística

Painel discute blogs e redes como fonte jornalística

O sétimo e último painel do MediaOn 2008 discutiu o uso dos blogs e das redes sociais, como MySpace e Orkut, para a cobertura jornalística na área de cultura. Na opinião dos participantes, as redes e blogs devem ser o “ponto de partida” para o jornalista cultural, “não o ponto de chegada”.

“Os blogs e as redes têm que ser a fonte inicial para a gente [o jornalista] trabalhar”, disse o repórter do iG Maurício Stycer, que mediou o debate. A diretora da produtora Gatacine, Aleksandra Zakartchouk completou: “Os blogs facilitam o acesso à informação, mas o jornalista tem que investigar”.

Aleksandra foi uma das debatedoras do painel, ao lado do também diretor da Gatacine, Rodrigo Tavares, e da coordenadora de conteúdo do MySpace Brasil, Marina Valle.

Aleksandra e Tavares apresentaram trailers de produções da Gatacine e mostraram os blogs que criaram como forma de divulgação dos filmes. No caso de “Colegas”, que será estrelado por atores sindrômicos, Aleksandra contou que no blog já há uma comunidade de pessoas dando força aos atores. “Eles ficam felizes com o feedback e isso se torna um incentivo”, comentou.

“A internet é a mídia mais eficiente, ágil e democrática para falar com o público”, comentou ainda Aleksandra, que também mostrou o blog criado para a divulgação do filme “La Riña” (“Rinha”), da Gatacine. “O blog acabou virando uma das maiores referências para a imprensa”, afirmou.

Marina Valle disse que no caso da rede social e portal MySpace, que é uma das maiores plataformas para a divulgação de bandas musicais, um músico ou uma banda é destacado no espaço dedicado a notícias (dentro do MySpace) quando os editores de conteúdo percebem que sua página teve muitos acessos. “A gente vê que tem algo diferente aí, então divulgamos”.

A diretora do MySpace deu o exemplo de Mallu Magalhães, artista que divulgou suas músicas e vídeos apenas na internet. Seu trabalho foi reconhecido pelos internautas antes que a cantora estivesse em jornais ou revistas.

Na opinião de Tavares, é preciso que o artista comece a divulgar seu trabalho “com aquilo que ele têm”, com todas as ferramentas disponíveis na internet, e contou: “Nós [Gatacine] criamos site, colocamos vídeo no YouTube, fizemos blog”. Mas o diretor ressaltou que, para que o trabalho artístico seja conhecido e reconhecido, é importante que um jornalista escreva sobre ele.

Você pode assistir a este e aos outros seis painéis do seminário de jornalismo online MediaOn na íntegra aqui no site do evento.

Rodrigo e Aleksandra, da Gatacine

Rodrigo e Aleksandra, da Gatacine

Marina Valle, do MySpace

Marina Valle, do MySpace

Maurício Stycer, repórter especial do iG

Maurício Stycer, repórter especial do iG

Painel discute uso das redes sociais no jornalismo online

Redes como Orkut e Twitter são tema do debate

Redes como Orkut e Twitter são tema do debate

No sexto painel do MediaOn, que discutiu “A Revolução do Conteúdo nas Redes Sociais”, António Granado, coordenador da versão online do jornal português Público e autor do blog Ponto Media, e Caique Severo, diretor de conteúdo do portal iG, defenderam a importância de os jornais utilizarem as redes sociais e também de “entendê-las”.

“Os jornais e outras mídias têm que rapidamente se atualizar e integrar as redes”, disse Granado durante o seminário. Em seguida, em entrevista à TV Terra, acrescentou: “As organizações só tem a ganhar entrando nessas redes sociais. O jornalismo tem que estar onde estão as pessoas”.

“É preciso entender para quê as redes sociais servem, e não só usá-las para criar audiência”, afirmou Severo. Granado, que reforçou a importância de entender e respeitar as regras das redes (como o Orkut, o MySpace e o Twitter), sugeriu a leitura do livro “Coming of Age in Second Life: An Anthropologist Explores the Virtually Human”, do antropólogo Tom Boellstorff, a todos que tem interesse em participar das redes virtuais.

O blogueiro português fez ainda outras recomendações, entre elas a de “não tentar substituir as redes sociais por redes próprias”. Segundo ele, “há varias tentativas, mas já existem redes suficientes” e o ideal para jornais ou empresas que querem participar é integrar as já existentes, sempre respeitando as regras dessas redes.

O autor do blog Ponto Media comentou ainda os benefícios que os jornais online têm ao usar ferramentas como aplicações com a intenção de conquistar e cativar o público. Um exemplo de Granado foi o questionário que o New York Times criou para que os leitores respondam perguntas sobre as notícias publicadas pelo jornal.

Caique Severo apresentou as ferramentas utilizadas pelo iG para conquistar o público e manter a audiência. Entre elas, a criação de Twitters com temas que mais tarde teriam um espaço no site do iG. Ou então, no sentido contrário, primeiro é produzido um canal sobre um tema qualquer no iG e depois é criado um Twitter.

No primeiro caso, Severo contou que o iG já usou posts do Twitter em sua página do canal Jovem.”Assim tornamos visível uma camada da sociedade com interesses comuns”, comentou. No segundo caso, o jornalista deu o exemplo do canal das Noivas, criado no mês de maio no iG e em junho no Twitter. “A gente está conseguindo manter a audiência deste canal apenas com essa ferramenta [Twitter], unindo as pessoas que se interessam”.

O sexto painel foi mediado por Fernanda Cerávolo, diretora do estúdio Vinil e curadora do MediaOn.

Para saber mais sobre o debate, é possível assistir ao vídeo aqui no site do MediaOn. O seminário prossegue na tarde desta quinta-feira, com o sétimo e último painel, “Diálogo Jornalismo-Produção Cultural”, que vai discutir o impacto das redes sociais na cobertura jornalista na área de cultura.

Português António Granado, jornalista e blogueiro

Português António Granado, jornalista e blogueiro

Caique Severo, diretor de conteúdo do iG

Caique Severo, diretor de conteúdo do iG

Fernanda Cerávolo, diretora da Vinil

Fernanda Cerávolo, diretora da Vinil